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mão robótica pegando pedaço de bolo

A I.A. comeu nosso bolo

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Há algum tempo vivemos na era da Inteligência Artificial. Um novo ciclo tecnológico do capitalismo cheio de novas possibilidades e uma antiga certeza: nós vamos pagar essa conta.

Como muitos escritores, minhas primeiras publicações foram em jornais locais impressos, como a antiga A Tribuna de São Carlos. Eu não ganhava nada, era a clássica relação “trabalhe de graça por divulgação”.

Com a revolução da internet surgiram os sites e blogues possibilitando que praticamente qualquer pessoa pudesse divulgar seus textos. Mas não deu muito tempo para aproveitar essas possibilidades, pois logo a internet começou a ser centralizada por empresas como Google e Facebook que diziam: se você não nos pagar por anúncios, ninguém vai acessar seu conteúdo.

Outra opção era produzir conteúdos grátis e usar técnicas para otimiza-lo para ser lido por máquinas (SEO). Se você fizesse isso, você poderia ganhar com propagandas no seu site. Então se você produzisse bastante, com regularidade e seguindo os critérios do Google, depois de alguns anos seu site passaria a ser relevante e apareceria na primeira página das buscas (logo abaixo dos links pagos).

O mercado de anúncios digitais cresceu muito, mas como sempre, a máxima “primeiro vamos fazer o bolo crescer para depois dividirmos”, não funcionou. O dinheiro do bolo virou a IA que varreu a internet cheia de textos otimizados para a leitura de máquinas e se apropriou de tudo. Escrevam tutoriais, disponibilizem conhecimentos, façam listas… E aí veio a IA e comeu todo nosso bolo! 

A Inteligência Artificial é incrível, eu uso ela para vários fins, admito. Se eu quero saber algo, não procuro mais no Google, não acesso os primeiros sites da lista, eu apenas pergunto para a IA. O dono do site não vai ganhar com meu acesso, apenas a IA que copiou o seu conteúdo e misturou com vários outros para não ser considerado plágio.

Hoje eu mal consigo escrever num blogue que não tem acesso e pago mensalmente por IA para coisas do trabalho. Não me parece justo, mas também ninguém quer saber minha opinião. Nem a Microsoft quis saber, quando me mandou email neste mês, avisando que o preço do meu plano vai aumentar. 

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